Alopecia Feminina: Vamos Falar Sobre o Assunto

Hoje acordei com vontade de fazer um vídeo um pouquinho mais pessoal, mais íntimo, falando sobre o tema da alopecia feminina.

Por que se fala pouco da alopecia feminina?

Se você pesquisar até no YouTube, vai ver que há poucos canais falando deste tema, principalmente do ponto de vista pessoal, da mulher em primeira
pessoa contando a sua experiência.

E é que é bastante difícil falar deste tema numa sociedade em que a alopecia feminina é um pouquinho tabu; este ano houve um pouquinho mais de eco sobre o tema com a Jada Smith, a esposa do Will Smith.


Mas em geral você vai ver poucas mulheres que sofrem de alopecia e que queiram mostrá-la ou a quem seja permitido mostrá-la em público, enquanto que se você vê programas de televisão ou séries vai ver homens que são carecas e são representados da maneira mais natural.

Talvez porque se pense que é mais comum em homens do que em mulheres. No entanto, segundo os estudos que você olhe, ao longo da vida de uma mulher 20, 30 ou até 40 por cento das mulheres sofrerão algum tipo de alopecia feminina na vida.

É interessante que quase metade de nós sofra de alopecia temporária ou indefinida e, no entanto, não seja normalizada nem aceita e não seja permitido mostrá-la em público.

Isso contribui para que soframos um estigma social e que nós mesmas não queiramos mostrá-la em público e façamos tudo o possível para escondê-la.

Se você está nessa situação, não está sozinha. Quase metade das mulheres já passou por isso em algum momento da vida, mesmo que não tenham contado.

Eu falo da minha experiência

Falo a partir da minha experiência pessoal, mas também de muitas mulheres com quem tenho conversado nos últimos meses.

Há uns 2 anos ofereço consultoria gratuita a mulheres que sofrem de alopecia, para poder ajudá-las a ver se uma peça de cabelo alternativo seria adequada para elas, qual, que tipo, que medida; às vezes não é a coisa adequada e talvez precisem de outro tipo de remédio.

Então conversei com muitas mulheres e percebi o quão grave essa situação é para muitas delas: pode chegar a causar depressão ou ansiedade social.

Então você não está sozinha e há muitas mulheres passando por isso. Talvez se você procurar uma comunidade no YouTube ou no Instagram ou no Tiktok, pode se sentir compreendida, porque há muitas mulheres passando pela mesma coisa. Não é que mal de muitos seja consolo de tolos, mas poder ouvir de outras mulheres a mesma coisa que está acontecendo com você dá um sentimento de compreensão, de se sentir entendida. E isso ajuda bastante em nível emocional.

Para muitas mulheres é tão tabu que às vezes não nos sentimos ou não nos atrevemos a contar.

Minha alopecia e os médicos

Eu nunca fui ao médico pedindo uma solução para a minha alopecia. Não sei se pensei que não havia solução ou que não era o lugar aonde ir. Há mais de 10 anos a minha médica me recomendou verificar a tireoide; ela saiu e eu não disse nada, eu me sentia um pouquinho também envergonhada de que ela tivesse percebido
que eu não tinha cabelo. Mas bem, pelo menos ela me recomendou fazer os exames de tireoide, embora não tenha dado nada.

Há uns dois anos fui a outra médica para consultar porque estava assustada por ter o couro cabeludo exposto ao sol por tanto tempo; estava preocupada de poder desenvolver algum tipo de câncer de pele e a única coisa que ela me disse foi para usar chapéu, ou seja, o assunto não é tratado.

De alguma maneira não é um problema de saúde pessoal, mas também
não se fala disso em nível médico. Por isso muitas mulheres recorrem a consultas particulares e isso é bastante caro. Há mulheres que vão a clínicas particulares e a consulta custa 100 ou 200 euros, aos quais é preciso somar o tratamento médico, os deslocamentos, etcétera. Ou seja, cada vez que visitam o médico poderiam comprar uma prótese capilar.

O desgaste emocional

Também, por outro lado, é um desgaste emocional porque você está investindo. Investindo nesse tratamento, mas não vê resultados; pode até te dar a sensação de que a clínica está tentando se aproveitar de você, de maneira intencional ou não, porque é algo sobre o qual não há muita clareza nem informação.

Podem te prometer que vai se resolver, mas não podem te garantir nada. Eu
sempre digo que, se há alguma clínica que me garanta 100% que vai reverter a minha alopecia feminina, eu assino agora mesmo, mas pago quando recuperar o cabelo, não no começo.

Porque podem prometer o que quiserem, mas depois podem dizer: "Ah, não, você entra nessa porcentagem de mulheres" ou "Ah, é que você é das que não dá para ajudar"...

Então é um desgaste emocional porque você está investindo e não está vendo resultados. Por outro lado, a maioria dos tratamentos não cura nem reverte o problema, a única coisa que fazem é frear. Então bem, prolongam um
pouco o período em que você vai estar com a queda de cabelo para que não seja tão repentino, mas na verdade não curam.

Muitos desses tratamentos também têm efeitos colaterais e não são recomendados para todas as mulheres; algumas mulheres têm que pará-los durante a gravidez e a amamentação. Então é algo em que também é preciso pensar.

O sentimento de culpa

Há um sentimento de culpa no tema da alopecia feminina. Por um lado, porque nos fazem acreditar que é culpa nossa, que não tentamos o suficiente, por isso cada vez que te recomendam algo novo você experimenta; se alguém te diz que há um shampoo que está funcionando ou que há um remédio milenar em que você ferve isto ou aquilo, você também experimenta.

Porque você não quer que seja por sua causa, não quer que digam que você não tentou
quando na verdade a maioria dessas coisas não funciona para a alopecia, pelo menos não a androgenética.

Então você tenta fazer a sua parte porque muitas vezes você se sente culpada pensando que não se cuida, que não está fazendo o possível para recuperar o seu cabelo. A maioria dessas recomendações nasce do carinho. Então eu também não me ofendo quando alguém me recomenda algo, a menos que seja um remédio milagroso de uma empresa de pirâmide, mas em geral sei que as pessoas fazem isso com boa intenção.

Durante muito tempo eu também estive experimentando todos os tipos de óleos do mercado e todos os remédios que me recomendavam; já parei há tempo. Porque eu sabia que não, que não tinha solução, então deixei de experimentar.

O dano de minimizar: "Não é tão grave"

Outro sentimento de culpa por outro enfoque do tipo "não é tão grave", "não sei por que você fica assim" ou "afinal é só cabelo" ou "você nem está tão mal"... isto é um sentimento bastante normal.

Quando faço as consultorias, muitas mulheres fazemos videochamada e eu olho para elas e digo, mas se elas não estão tão mal, ou não estão tão mal quanto eu, mas não vou dizer isso, não, porque é como minimizar o seu problema. Eu quero animá-las, mas bem, me abstenho de fazer esse comentário porque o que para você é importante é importante e ponto. Tanto faz que seja "só cabelo". Eu também já passei por isso, há vezes em que me penteio e nem parece tão grande e penso: "Pois, se nem estou tão mal".

Mas sim, na verdade tenho muito pouco cabelo. É a realidade. Então para muitas mulheres, se alguém faz esse comentário, claro que, se você compara com outras coisas, não são graves. Talvez você não esteja em seu leito de morte, ou não tenha um câncer ou não tenha uma doença debilitante. É "só cabelo", mas é importante para você.

Eu nunca passei por um problema, a alopecia não me causou um problema emocional, talvez porque nunca dei demasiada importância ao físico. Então também não me importou tanto. Mas é preciso reconhecer, é preciso ser realista. Nem todos temos o mesmo senso de estética ou de beleza. Sabemos o que é bonito e o que não é, às vezes imposto pela sociedade.

Aceitemos a realidade: A sociedade impõe o seu padrão de beleza

Vivemos nesta sociedade. Então você entende que uma mulher com cabelo fica melhor. Que uma mulher um pouquinho mais alta parece mais esguia. Então a que é mais baixinha usa salto alto, é algo que temos totalmente aceito.

Então, embora para mim não fosse um grande problema emocional, estava me causando certa limitação de não querer sair nas fotos ou de sentir vergonha se alguém estava olhando o meu couro cabeludo.

Então o que para você é importante é importante, não precisa minimizar, não precisa comparar com uma doença; é importante e ponto. Quando você chega a esse ponto de entender que tem este problema que não tem solução, chega o momento de aceitá-lo. Você conversa com outras pessoas, ouve diferentes experiências e agora pode buscar uma solução.

Que não é uma cura, então além disso você pode usar uma peruca, ou um topper, ou simplesmente pode deixar do jeito que está.

A aceitação da realidade

Acho que quando você chega à aceitação também se sente mais livre, principalmente se conversa sobre isso com outras pessoas do seu entorno, porque no fim você percebe que as pessoas não ligam tanto. Quando você percebe que elas não ligam tanto, você também deixa de ligar tanto.

Há uns 20 anos eu estava trabalhando num escritório e tinha uma colega de trabalho que era bastante jovem, mas tinha muitos cabelos brancos. Então ela tingia, mas como tinha o cabelo preto logo se notava a raiz. Estamos um dia conversando e eu olhei para ela, meus olhos foram para as raízes do cabelo dela e ela me disse: "Nossa, guria, você está olhando os meus cabelos brancos". Me senti péssima, mas era assim, e não fiz de maneira intencional, simplesmente meus olhos foram. Lá eu também não pensei nada. Não pensei: "Nossa, quanto cabelo branco, que feio". Não pensei nada, simplesmente.

Então agora, quando alguém olha o meu topper ou quando alguém olha o nosso couro cabeludo, não dou tanta importância; entendo que é normal que os olhos vão em direção a uma anormalidade, mas que não há nenhuma intenção por trás; quando você deixa de ver essa intenção por trás, e mesmo que seja um pouco bobo, tenta ver a bondade na outra pessoa, você se sente melhor.

Como a alopecia limita a vida

Entendo que para muitas mulheres o tema da alopecia possa limitá-las em nível profissional, por exemplo quando estão procurando emprego, porque o físico é
importante.

Também em nível social ou afetivo; no meu caso não posso ajudar muito nisso porque estou há quase 18 anos felizmente casada e não precisei passar por esse problema. Mas sei que existe problema por essa situação. Sei que há mulheres que se perguntam em que momento contar ao parceiro ou como comunicar, se decidiram usar peruca. Digo a ele que é uma peruca, que não é o meu cabelo? Tudo isso pode causar uns questionamentos sobre o que fazer. Cria certas dúvidas.

A importância de buscar um grupo de apoio

Eu recomendo procurar alguns grupos de mulheres que tenham o mesmo problema, o mesmo diagnóstico, e poder compartilhar para tirar algumas ideias e se sentir melhor.

Às vezes lendo outros comentários, vendo outras mulheres, você chega a conclusões a que não teria chegado sozinha.

Da visibilidade virá a normalização

Agora mesmo penso que quantas mais mulheres tornarem essa situação visível e mostrarem a sua alopecia, mais ela será normalizada.

Já faz tempo que as mulheres decidiram usar salto alto para parecer mais altas e ninguém diz nada a elas. E se você usa sapatos baixos, ninguém diz nada. Se quer colocar extensão de cílios, ótimo. Se você coloca extensões de cabelo, ninguém diz nada. Se faz maquiagem definitiva, ninguém diz nada também.

Então chegará um momento em que isso será muito mais normalizado e, quando uma mulher usar peruca ou topper, sem chegar à idade em que pensávamos que as perucas eram só para velhinhas, será normalizado e ninguém dirá nada. E você vai se sentir muito melhor.

Talvez vivamos nesse período em que é preciso normalizar, mas quantas mais falarmos deste tema, mais fácil será.

Para mim o topper foi minha solução e minha libertação

Realmente acho algo tão confortável que creio que muitas mulheres que agora usam extensões de cabelo acabarão usando próteses capilares ou cabelo alternativo, porque é muito mais confortável. Porque você coloca e tira.

Também entender que, por exemplo no meu caso, isto é o melhor que encontrei, mas que quando chego em casa eu tenho que tirar o topper e que isto é o que eu tenho.

A fase de aceitação da minha alopecia

A última coisa que eu queria dizer é que todo este processo de aceitar a alopecia é algo que você mesma tem que fazer. A solução a que você queira chegar, o remédio que queira usar, você também tem que chegar a ele você mesma.

Eu não consegui curar a minha alopecia e este é o meu cabelo e isto é o que eu vejo todos os dias quando me levanto.

Então, se você não aceita, vai ser muito difícil buscar uma solução
ou uma alternativa.

Agora eu decido, não a minha alopecia

Também quero dizer que, quando comecei a usar topper, quase me senti mais confortável do que nunca com o meu cabelo. Porque agora tenho uma opção, posso escolher se quero usá-lo ou não. Mas antes não. Agora posso escolher. Então agora para certas atividades vou sem topper e levo muito bem.

Em conclusão, é preciso fazer um trabalho pessoal de aceitação da alopecia. Vamos tentar normalizá-la e falar disso com as outras pessoas. Procure uma comunidade que sirva de apoio para você se sentir compreendida e, se precisar de qualquer outra coisa, pode deixar um comentário também para vermos como isso afetou você e em que nível está afetando e compartilhar com outras mulheres.

Um abraço e muito ânimo!

Ciao

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